Dramalhões a parte, hoje eu soube que a publicidade perdeu um nome, ou quase um nome, ficou manca de uma perna, torta para um lado. Meio sem chão.
A menina do nariz arrebitado, que não é do Monteiro Lobato, a moça do mundo cor-de-rosa, de personalidade forte, de olhar marcante, cabelo liso e as vezes franjinha.
Aquela que já plantou uma árvore, de caju (que com sal e pinga Nega Fulô é muito bom), que não tem um filho, mas já me confessou, em off, que já pensou num nome pra ele. Ela casou, e talvez até use uma aliança, que eu sei que ela também já está escolhendo. E juntas, vamos escrever um livro (um filme ou seriado também valem).
Ela, que guardava as idéias na manga, como um mágico ou o melhor jogador de carteado, com sua sequencia de cartas prontas, a esperar pelo momento certo.
Aqui jaz uma publicitária, e sua bagagem de idéias: Slogans a espera da imagem perfeita, textos a espera do roteiro ideal, palavras soltas, que juntas diziam tudo, palavras saídas do coração . Adeus às respostas na ponta da língua, e explicações para o inexplicável.
Fiquei triste, porque tínhamos planos, investir num trio de criação, com duas redatoras e um diretor de arte, íamos emocionar o mundo com nossas propagandas de apelo emocional. Porque passaríamos noites em claro com um briefing na mão e comemoraríamos o dead line com champanhe no outro dia.
Ela mudou de vida, de cidade, de ares, de idéia... E o mundo da Moda com certeza vai pagar pra ver.
Em seguida fiquei feliz. Pelo simples fato dela estar feliz.
A hora certa? Ela já se deu conta. E não teve medo de começar de novo, zerar o cronômetro, agora é fé em Deus e pé na tábua, como ela mesma gosta de dizer.
Mas sinto pela minha publicitária preferida. E o mundo vai sentir também.
Mas eu vou continuar, eu fiz essa escolha e vou até o fim (e ela sabe como ninguém que tenho dificuldades para voltar, reconhecer que estava errada, que é hora de mudar) Mas ela me aceita, me admira, tem orgulho... E pra mim é isso que importa.
Eu vou seguindo com minhas idéias anotadas nos inúmeros papéis.
E ela sabe que se precisar é só estender a mão.
Eu também sei.
terça-feira, 13 de abril de 2010
segunda-feira, 5 de abril de 2010
O mistério Machadiano
Passados mais de 100 anos da morte de Machado de Assis, poucas passagens ainda sustentam tanto destaque na literatura Brasileira como as do olhar misterioso e enigmático de Capitu, descritos impecavelmente como: “olhos de cigana obliqua e dissimulada”, e ao mergulharmos mais profundamente na leitura, também encontramos seu olhar intrigante apresentado como “Olhos de ressaca”.
Machado ainda ocupa grande espaço, desde as mídias até as discussões e grupos de estudo: Dificilmente encontra-se uma lista de leitura exigida nos vestibulares brasileiros que não contenha “Dom Casmurro” grande obra desse brilhante escritor.
Capitu caiu no gosto popular (ou quase) no ano final de 2008, quando numa versão erudita foi notavelmente vivida (enquanto adulta) pela atriz Maria Fernanda Cândido na minissérie global, baseada no romance de 1899, que consta como a obra brasileira mais traduzida para outros idiomas.
Até a emissora número um (segundo o ibope) da televisão aberta cedeu aos encantos de Capitu, produzindo uma série lúdica e encantadora, reproduzindo ao pé da letra diálogos e cenas que sempre se inquietaram na mente dos seguidores e admiradores desse gênero literário, o realismo, merecedor de elogios e críticas ferrenhas, desde seu início, em 1881, com a obra Memórias Póstumas de Brás Cubas, a ousada trajetória do defunto autor.
Machado é um mito, e seus personagens são verdadeiros merecedores de um espaço na mídia, como em minisséries, no caso de Capitu (2008), ou em adaptações para o cinema, como Capitu, de Paulo César Saraceni (1968), Criador e criatura - o encontro de Machado e Capitu de Flávio Aguiar e Ariclê Perez (1999), Capitu, de Marcus Vinicíus Faustini (1999), Dom de Moacyr Góes (2003) e para ópera, Dom Casmurro, de Ronaldo Miranda e Orlando Codá (1992).
O texto de Machado em Dom Casmurro, e sua adaptações expressam conteúdo, emoção, paixão, intriga e devaneios, deixando tudo sutilmente no ar, numa discussão que atravessa anos: O carater da menina dos olhos negros e profundos; Menina ou mulher? Todos os leitores (e admiradores) se deleitaram com o amadurecimento e despertar de Capitu para vida e para a sociedade carioca.
Mas, o que existe de tão especial na pseudo-aspirante a “carola” que ainda criança se apaixona pelo menino prometido ao clero: Um menino frágil, franzino e medroso, que passa metade da vida temendo a Deus por promessas não cumpridas.
Capitu representa a ousadia, a liberdade ansiada por grande parte das mulheres do século XIX, senão dos dias atuais. Ela mantém o brilho no olhar e sempre enxerga além, para longe dos padrões impostos: A mulher que a bucólica feminilidade brasileira espera se tornar: A mulher que rompe barreiras do machismo e da submissão, embora para aquela época, tantas aventuras fossem apenas, discretamente, permitidas na ficção.
E Bentinho murchava gradativamente com o desabrochar de Capitu, e enlouquecia com a velocidade com que a amada se tornava uma mulher pouco convencional (pelo menos aos seus olhos). Ela era dona de seus deveres e direitos, enquanto a Bentinho, só restavam fantasias e delírios.
É o inesperado desse romance que ainda fascina e desperta tantas discussões e a curiosidade de realitas, estudiosos, ou simples admiradores, que ainda não aprenderam a se contentar com a cultura empobrecida e alienada popularizada riducularmente (salvo raras excessões) pela mídia brasileira.
Machado ainda ocupa grande espaço, desde as mídias até as discussões e grupos de estudo: Dificilmente encontra-se uma lista de leitura exigida nos vestibulares brasileiros que não contenha “Dom Casmurro” grande obra desse brilhante escritor.
Capitu caiu no gosto popular (ou quase) no ano final de 2008, quando numa versão erudita foi notavelmente vivida (enquanto adulta) pela atriz Maria Fernanda Cândido na minissérie global, baseada no romance de 1899, que consta como a obra brasileira mais traduzida para outros idiomas.
Até a emissora número um (segundo o ibope) da televisão aberta cedeu aos encantos de Capitu, produzindo uma série lúdica e encantadora, reproduzindo ao pé da letra diálogos e cenas que sempre se inquietaram na mente dos seguidores e admiradores desse gênero literário, o realismo, merecedor de elogios e críticas ferrenhas, desde seu início, em 1881, com a obra Memórias Póstumas de Brás Cubas, a ousada trajetória do defunto autor.
Machado é um mito, e seus personagens são verdadeiros merecedores de um espaço na mídia, como em minisséries, no caso de Capitu (2008), ou em adaptações para o cinema, como Capitu, de Paulo César Saraceni (1968), Criador e criatura - o encontro de Machado e Capitu de Flávio Aguiar e Ariclê Perez (1999), Capitu, de Marcus Vinicíus Faustini (1999), Dom de Moacyr Góes (2003) e para ópera, Dom Casmurro, de Ronaldo Miranda e Orlando Codá (1992).
O texto de Machado em Dom Casmurro, e sua adaptações expressam conteúdo, emoção, paixão, intriga e devaneios, deixando tudo sutilmente no ar, numa discussão que atravessa anos: O carater da menina dos olhos negros e profundos; Menina ou mulher? Todos os leitores (e admiradores) se deleitaram com o amadurecimento e despertar de Capitu para vida e para a sociedade carioca.
Mas, o que existe de tão especial na pseudo-aspirante a “carola” que ainda criança se apaixona pelo menino prometido ao clero: Um menino frágil, franzino e medroso, que passa metade da vida temendo a Deus por promessas não cumpridas.
Capitu representa a ousadia, a liberdade ansiada por grande parte das mulheres do século XIX, senão dos dias atuais. Ela mantém o brilho no olhar e sempre enxerga além, para longe dos padrões impostos: A mulher que a bucólica feminilidade brasileira espera se tornar: A mulher que rompe barreiras do machismo e da submissão, embora para aquela época, tantas aventuras fossem apenas, discretamente, permitidas na ficção.
E Bentinho murchava gradativamente com o desabrochar de Capitu, e enlouquecia com a velocidade com que a amada se tornava uma mulher pouco convencional (pelo menos aos seus olhos). Ela era dona de seus deveres e direitos, enquanto a Bentinho, só restavam fantasias e delírios.
É o inesperado desse romance que ainda fascina e desperta tantas discussões e a curiosidade de realitas, estudiosos, ou simples admiradores, que ainda não aprenderam a se contentar com a cultura empobrecida e alienada popularizada riducularmente (salvo raras excessões) pela mídia brasileira.
sexta-feira, 19 de março de 2010
A vendedora de sonhos de goiabada
Ela já quis ser bailarina
Fez aulas de teclado
Aprendeu um pouco de inglês, o outro pouco ela esqueceu.
Arranhava um pouco de espanhol, bem pouco.
Ela cresceu:
O pai falou em Direito
Ela pensou em Letras
A mãe, a madrinha e mais meia dúzia de amigas delas, também professoras, disseram não.
Ela sozinha conheceu a publicidade
E se apaixonou
Durante a faculdade a vida lhe deu um presente: Uma amiga. Daquelas bem falantes, constante e intensa. Única... Só dela. E a cada vez que elas se encontram, podem ter se passado meses, ou até anos, mas a sensação é a mesma: De que se viram há poucos minutos. O assunto e a afeição são cada vez maiores.
Lá ela também conheceu um grande amigo, que chegou a pensar que era amor. Mas não era e nem era dela.
Ela terminou a faculdade.
Formou-se numa festa linda, mas linda mesmo.
Mas ela estava tão encantada com o momento que se esqueceu das fotos.
E chorou por isso quando o dia amanheceu
Mal sabia que aquelas imagens ficariam guardadas, de uma maneira mais que especial, pra sempre em sua memória, de um jeito único. De um jeito só dela, que só ela conheceria.
Hoje ela sabe disso, sempre que deseja, todas aquelas imagens reacendem em sua memória. E quando ela lembra da manhã seguinte a sua formatura, ela ri e pensa: Boba!
Ela foi trabalhar e também conheceu muita gente: Pessoas boas, que só queriam ajudar; Pessoas companheiras que queriam estar sempre por perto; Pessoas ruins que desejavam e faziam mal; Pessoas tristes e maltratadas pela vida e pessoas que eram tristes e maltratadas por elas mesmas. E esse foi seu primeiro contato com o mundo real.
Também conheceu o amor. E ela tinha certeza desde o começo que era amor. E só seu.
E a cidade do interior ficou pequena e longínqua pra tanto amor e tantas idéias.
E pra dar certo, ela correu atrás. Ela mudou.
Mas não mudou por ele, mudou por ela mesma.
Ela virou mulher, mas às vezes deixa transparecer a linda menina que mora em seus olhos.
E junto com essas mudanças vieram responsabilidades, como acordar cedo sozinha, comprar uma máquina de lavar e falar pouco ao telefone.
Ela tem um emprego na cidade grande. Um emprego que também lhe foi um presente de uma “nova” família que ela começou a amar espontaneamente.
Ela gosta do emprego. Mas não convence a ninguém, nem a ela mesma.
Mas é preciso... É preciso pra amadurecer de verdade.
Ela quer crescer, mas não consegue ir sem a publicidade, sem suas folhas rabiscadas, sem seus pensamentos soltos. Nem lhe passa pela cabeça deixar tudo isso para trás.
Ela tem grandes sonhos, dentre eles viajar pelo mundo.
Ela já plantou uma árvore, em 2000, ainda no colégio, na comemoração de 500 anos do Brasil. Era um Pau-Brasil.
Quer escrever um livro, a curto prazo
Quer ter um filho (talvez dois, ou até três), mas isso é a longo prazo
Às vezes ela tenta ser como as pessoas comuns.
Mas só tenta.
Ela só quer uma sala arejada, pintada de lilás ou verde limão, com um computador e muito papel, para que possa escrever o que quiser e quanto quiser.
Ela precisa escrever. Escrever faz parte de suas funções vitais. Pra ela é como respirar, comer e dormir.
E olha que ela dorme. E se inspira antes de dormir. Tem papel e caneta ao lado do colchão.
A noite é uma grande conselheira e confidente.
Ela confidencia muitas coisas a noite. Principalmente seus medos: O maior deles é ter que deixar seus textos para trás, para ninguém.
E por ter esse medo ela pára para escrever:
Ela escreve enquanto vê televisão, enquanto lava a roupa e cozinha; Interrompe o banho pra escrever (Sim, ela leva papel e caneta para o banheiro).
Ela escreve no terminal esperando o ônibus, enquanto vê as pessoas passarem.
Enquanto algumas pessoas passam, outras simplesmente vivem.
Ela escreve e essa é sua vida.
Assim o tempo passa.
Ela vê a vendedora de sonhos, que já vendeu todos os de goiabada.
Seu ônibus chega.
Ela entra, senta, se aconchega, guarda o lápis e o papel e vai em paz, com a alma leve.
Fez aulas de teclado
Aprendeu um pouco de inglês, o outro pouco ela esqueceu.
Arranhava um pouco de espanhol, bem pouco.
Ela cresceu:
O pai falou em Direito
Ela pensou em Letras
A mãe, a madrinha e mais meia dúzia de amigas delas, também professoras, disseram não.
Ela sozinha conheceu a publicidade
E se apaixonou
Durante a faculdade a vida lhe deu um presente: Uma amiga. Daquelas bem falantes, constante e intensa. Única... Só dela. E a cada vez que elas se encontram, podem ter se passado meses, ou até anos, mas a sensação é a mesma: De que se viram há poucos minutos. O assunto e a afeição são cada vez maiores.
Lá ela também conheceu um grande amigo, que chegou a pensar que era amor. Mas não era e nem era dela.
Ela terminou a faculdade.
Formou-se numa festa linda, mas linda mesmo.
Mas ela estava tão encantada com o momento que se esqueceu das fotos.
E chorou por isso quando o dia amanheceu
Mal sabia que aquelas imagens ficariam guardadas, de uma maneira mais que especial, pra sempre em sua memória, de um jeito único. De um jeito só dela, que só ela conheceria.
Hoje ela sabe disso, sempre que deseja, todas aquelas imagens reacendem em sua memória. E quando ela lembra da manhã seguinte a sua formatura, ela ri e pensa: Boba!
Ela foi trabalhar e também conheceu muita gente: Pessoas boas, que só queriam ajudar; Pessoas companheiras que queriam estar sempre por perto; Pessoas ruins que desejavam e faziam mal; Pessoas tristes e maltratadas pela vida e pessoas que eram tristes e maltratadas por elas mesmas. E esse foi seu primeiro contato com o mundo real.
Também conheceu o amor. E ela tinha certeza desde o começo que era amor. E só seu.
E a cidade do interior ficou pequena e longínqua pra tanto amor e tantas idéias.
E pra dar certo, ela correu atrás. Ela mudou.
Mas não mudou por ele, mudou por ela mesma.
Ela virou mulher, mas às vezes deixa transparecer a linda menina que mora em seus olhos.
E junto com essas mudanças vieram responsabilidades, como acordar cedo sozinha, comprar uma máquina de lavar e falar pouco ao telefone.
Ela tem um emprego na cidade grande. Um emprego que também lhe foi um presente de uma “nova” família que ela começou a amar espontaneamente.
Ela gosta do emprego. Mas não convence a ninguém, nem a ela mesma.
Mas é preciso... É preciso pra amadurecer de verdade.
Ela quer crescer, mas não consegue ir sem a publicidade, sem suas folhas rabiscadas, sem seus pensamentos soltos. Nem lhe passa pela cabeça deixar tudo isso para trás.
Ela tem grandes sonhos, dentre eles viajar pelo mundo.
Ela já plantou uma árvore, em 2000, ainda no colégio, na comemoração de 500 anos do Brasil. Era um Pau-Brasil.
Quer escrever um livro, a curto prazo
Quer ter um filho (talvez dois, ou até três), mas isso é a longo prazo
Às vezes ela tenta ser como as pessoas comuns.
Mas só tenta.
Ela só quer uma sala arejada, pintada de lilás ou verde limão, com um computador e muito papel, para que possa escrever o que quiser e quanto quiser.
Ela precisa escrever. Escrever faz parte de suas funções vitais. Pra ela é como respirar, comer e dormir.
E olha que ela dorme. E se inspira antes de dormir. Tem papel e caneta ao lado do colchão.
A noite é uma grande conselheira e confidente.
Ela confidencia muitas coisas a noite. Principalmente seus medos: O maior deles é ter que deixar seus textos para trás, para ninguém.
E por ter esse medo ela pára para escrever:
Ela escreve enquanto vê televisão, enquanto lava a roupa e cozinha; Interrompe o banho pra escrever (Sim, ela leva papel e caneta para o banheiro).
Ela escreve no terminal esperando o ônibus, enquanto vê as pessoas passarem.
Enquanto algumas pessoas passam, outras simplesmente vivem.
Ela escreve e essa é sua vida.
Assim o tempo passa.
Ela vê a vendedora de sonhos, que já vendeu todos os de goiabada.
Seu ônibus chega.
Ela entra, senta, se aconchega, guarda o lápis e o papel e vai em paz, com a alma leve.
domingo, 7 de março de 2010
Saudade
Estou há horas parada, olhando fixamente para a folha em branco.
Será que eu posso ir aí na sua casa? Sinara, 5º Andar, a gente joga os colchões na sala, seleciona uma playlist daquelas (pode até ter pagode, mas não conta pra ninguém).
Como está frio, eu posso levar meu edredon rosa ou, até ir de pijama e All Star.
Se tiver chovendo, você vem me buscar de guarda chuva.
E depois, pra tentar chamar o sono, você pode preparar um chocolate quente, e enfeitar a borda com leite condensado e chocolate em pó.
E depois que o texto sair, podemos dormir, ou melhor, apagar a luz, passar todos os canais da TV (às três da manhã tem uma programação estupenda, digna de crítica)... A gente faz um esforço e critica todos.
Daí quando o sol estiver nascendo, a gente se rende ao sono... E dorme com os lábios até adormecidos de tanto riso e os olhos meio inchados, de sono e de lágrimas... Quem sabe de Allegra.
Eu sei que isso não é possível agora, mas já foi... Inúmeras vezes!
E quando a saudade bate, eu abro meu baú de coisinhas felizes, onde eu encontro fotos, papel de bala, ingressos de cinema, bilhete de viagens, cartões e o mundo de sensações, que poucas pessoas têm o privilégio de experimentar...
Eu fecho os olhos e tudo acontece mentalmente, numa perfeita riqueza de detalhes
Eu respiro fundo e sorrio para o nada... Na verdade é pra você!
Pode ter certeza, que eu continuo, mesmo de longe, usando o nariz de palhaço, só pra te fazer rir, cortando o caminho pra te encontrar mais cedo, esticando o pescoço pra te achar, pra você nunca se sentir perdida e sozinha...
Enfim, com você eu nunca terei medo de me sentir ridícula!
Amo... Infinito
Será que eu posso ir aí na sua casa? Sinara, 5º Andar, a gente joga os colchões na sala, seleciona uma playlist daquelas (pode até ter pagode, mas não conta pra ninguém).
Como está frio, eu posso levar meu edredon rosa ou, até ir de pijama e All Star.
Se tiver chovendo, você vem me buscar de guarda chuva.
E depois, pra tentar chamar o sono, você pode preparar um chocolate quente, e enfeitar a borda com leite condensado e chocolate em pó.
E depois que o texto sair, podemos dormir, ou melhor, apagar a luz, passar todos os canais da TV (às três da manhã tem uma programação estupenda, digna de crítica)... A gente faz um esforço e critica todos.
Daí quando o sol estiver nascendo, a gente se rende ao sono... E dorme com os lábios até adormecidos de tanto riso e os olhos meio inchados, de sono e de lágrimas... Quem sabe de Allegra.
Eu sei que isso não é possível agora, mas já foi... Inúmeras vezes!
E quando a saudade bate, eu abro meu baú de coisinhas felizes, onde eu encontro fotos, papel de bala, ingressos de cinema, bilhete de viagens, cartões e o mundo de sensações, que poucas pessoas têm o privilégio de experimentar...
Eu fecho os olhos e tudo acontece mentalmente, numa perfeita riqueza de detalhes
Eu respiro fundo e sorrio para o nada... Na verdade é pra você!
Pode ter certeza, que eu continuo, mesmo de longe, usando o nariz de palhaço, só pra te fazer rir, cortando o caminho pra te encontrar mais cedo, esticando o pescoço pra te achar, pra você nunca se sentir perdida e sozinha...
Enfim, com você eu nunca terei medo de me sentir ridícula!
Amo... Infinito
domingo, 28 de fevereiro de 2010
O QUE É NA VERDADE MORRER DE AMOR
*Texto publicado na revista Humorativo em junho de 2009. Um desabafo sobre a inversão de valores que toma conta da mídia brasileira.
Um pouco longo, mas acho que vale a pena...
Não, isso não é um artigo sobre os poetas românticos da primeira metade do século XIX que morriam de amor (ou da falta dele), tuberculose e saudade e sim sobre uma onda de descontrole emocional, exaltação, irreflexão e total irresponsabilidade denominada “crime passional” que virou a sensação dos meios de comunicação em âmbito internacional.
A definição mais clara de crime passional é: Aquele cometido por amor. Amor que mata? Que faz sofrer? Que gera ódio, indignação, inconformidade? Que deixa marcas profundas e cicatrizes eternas? Há no mínimo uma pequena dose de inversão de valores nesse conceito atual.
Diante desse bombardeio de notícias, o que mais chamou a atenção, não só de leitores, escritores e formadores de opinião, mas de toda mídia, foi o caso Eloá Pimentel, da cidade de Santo André, ocorrido no final de outubro de 2008; Caso esse, diga-se de passagem, digno de causar inveja a teledramaturgia ou até mesmo as mais caras produções Hollywoodianas.
Com um enredo simples, composto pela mocinha: uma adolescente bonita, inteligente, cheia de vida e precoce... Muito precoce. Provinda de uma família pobre e completamente desestruturada, informação essa também confirmada posteriormente.
Considerando as relações familiares comuns, da típica família formada por pais e mães que se amam, se completam, se respeitam, a pergunta que mais inflamou na mente dos espectadores deste espetáculo quase épico de sangue e horror foi: Que tipo de pais deixam sua filha envolver-se com um “tipo” apontado desde o início do relacionamento, ou seja três anos atrás, como estranho, possessivo e ciumento.
A resposta foi divulgada da mesma maneira, pela mesma mídia e apontando o óbvio: Um pai fugitivo, acusado de vários crimes, que carrega uma identidade falsa, foragido da polícia há anos e uma mãe, que aceitou tudo isso calada.
A situação ainda contou com a presença de um personagem secundário (segundo algumas opiniões, quase antagonista) tão intrigante como todo o restante do elenco: A melhor amiga! Que assim como o assassino, se deslumbrou com o reality show que se transformou a periferia da cidade do grande ABC. Nayara também tornou-se celebridade, porém seus “cinco minutos” de fama se estenderam um pouco mais: Seqüestro, libertação, volta ao cativeiro para suposta negociação, alvo de uma bala, hospital e um misterioso, curioso ou mangado pedido: Pediu encarecidamente presença do atacante brasileiro que tua no Milan, Alexandre Pato. Talvez um pedido aceitável, vindo de uma menina de 14 anos... A menina desprotegida, que posou para as lentes da imprensa segurando um urso de pelúcia. Mas um pedido sem o menor propósito, se pensarmos no “homem” de confiança, designado pela polícia militar para negociar com o assassino. Atitudes no mínimo estúpidas e incoerentes de ambas as partes.
O ano de 2009, também não escapou ileso dessas notícias, mas nada teve uma repercussão tão estrondosa: Em janeiro, o motoboy paulista assassinou sua ex-namorada dentro de uma academia de ginástica na zona oeste de São Paulo. Um crime quase classificado como uma conseqüência: A vítima já havia registrado inúmeros boletins de ocorrência das ameaças que estava recebendo do ex desde o final do relacionamento e ela já havia sofrido agressões em seu local de trabalho.
O assassino já havia sido preso, respondia processo por roubo, apresentava (olha a coincidência) comportamento violento desde o início do relacionamento. Nesse caso, não deram muita importância a esses indícios: Nem a vítima, nem a família, nem a polícia, nem a imprensa, que cedeu bem pouco espaço (comparado ao caso anterior) a essa notícia.
Em março, um ex- jogador de futebol também matou a ex- namorada acidentalmente com 14 facadas e fugiu com o filho. Caso esse, que dispensa comentários.
Em contrapartida, enquanto folhava revistas antigas procurando mais exemplos de crimes passionais, deparei-me com uma revista, contendo uma nota discretíssima sobre a morte da viúva do compositor Dorival Caymmi.
Stella Maris, como era conhecida, faleceu apenas 11 dias depois do marido: Essa sim, seria uma história de amor digna de ocupar um espaço no horário nobre, ou no mínimo um bloco dos telejornais: Foram 68 anos de amor, trabalho, cumplicidade, convivência e versos que figuraram uma das famílias mais melódicas da história da música brasileira.
Stella e Dorival morreram de amor:
Ela foi internada em abril por problemas cardíacos; Ele lutava bravamente contra um câncer renal.
Ela ligava do hospital todos os dias pra saber como ele estava; Ele, diante da coragem e motivação que ela transmitia ia reagindo.
Ela entrou em coma; Ele mesmo sem ser informado, parou de se alimentar e entrou em depressão.
Ela, já sem forças, continuou na mesma; Ele, em pouco mais de uma semana, morreu de tristeza, de ausência, de saudade.
Ela foi encontrá-lo, onze dias depois.
E nenhum meio de comunicação dedicou mais que meia dúzia de palavras sobre o assunto.
Talvez esse mero exemplo de vida conjugal, essa maneira de “morrer de amor” esteja fora de moda.
E não sejam esses valores que importem realmente à mídia.
Um pouco longo, mas acho que vale a pena...
Não, isso não é um artigo sobre os poetas românticos da primeira metade do século XIX que morriam de amor (ou da falta dele), tuberculose e saudade e sim sobre uma onda de descontrole emocional, exaltação, irreflexão e total irresponsabilidade denominada “crime passional” que virou a sensação dos meios de comunicação em âmbito internacional.
A definição mais clara de crime passional é: Aquele cometido por amor. Amor que mata? Que faz sofrer? Que gera ódio, indignação, inconformidade? Que deixa marcas profundas e cicatrizes eternas? Há no mínimo uma pequena dose de inversão de valores nesse conceito atual.
Diante desse bombardeio de notícias, o que mais chamou a atenção, não só de leitores, escritores e formadores de opinião, mas de toda mídia, foi o caso Eloá Pimentel, da cidade de Santo André, ocorrido no final de outubro de 2008; Caso esse, diga-se de passagem, digno de causar inveja a teledramaturgia ou até mesmo as mais caras produções Hollywoodianas.
Com um enredo simples, composto pela mocinha: uma adolescente bonita, inteligente, cheia de vida e precoce... Muito precoce. Provinda de uma família pobre e completamente desestruturada, informação essa também confirmada posteriormente.
Considerando as relações familiares comuns, da típica família formada por pais e mães que se amam, se completam, se respeitam, a pergunta que mais inflamou na mente dos espectadores deste espetáculo quase épico de sangue e horror foi: Que tipo de pais deixam sua filha envolver-se com um “tipo” apontado desde o início do relacionamento, ou seja três anos atrás, como estranho, possessivo e ciumento.
A resposta foi divulgada da mesma maneira, pela mesma mídia e apontando o óbvio: Um pai fugitivo, acusado de vários crimes, que carrega uma identidade falsa, foragido da polícia há anos e uma mãe, que aceitou tudo isso calada.
A situação ainda contou com a presença de um personagem secundário (segundo algumas opiniões, quase antagonista) tão intrigante como todo o restante do elenco: A melhor amiga! Que assim como o assassino, se deslumbrou com o reality show que se transformou a periferia da cidade do grande ABC. Nayara também tornou-se celebridade, porém seus “cinco minutos” de fama se estenderam um pouco mais: Seqüestro, libertação, volta ao cativeiro para suposta negociação, alvo de uma bala, hospital e um misterioso, curioso ou mangado pedido: Pediu encarecidamente presença do atacante brasileiro que tua no Milan, Alexandre Pato. Talvez um pedido aceitável, vindo de uma menina de 14 anos... A menina desprotegida, que posou para as lentes da imprensa segurando um urso de pelúcia. Mas um pedido sem o menor propósito, se pensarmos no “homem” de confiança, designado pela polícia militar para negociar com o assassino. Atitudes no mínimo estúpidas e incoerentes de ambas as partes.
O ano de 2009, também não escapou ileso dessas notícias, mas nada teve uma repercussão tão estrondosa: Em janeiro, o motoboy paulista assassinou sua ex-namorada dentro de uma academia de ginástica na zona oeste de São Paulo. Um crime quase classificado como uma conseqüência: A vítima já havia registrado inúmeros boletins de ocorrência das ameaças que estava recebendo do ex desde o final do relacionamento e ela já havia sofrido agressões em seu local de trabalho.
O assassino já havia sido preso, respondia processo por roubo, apresentava (olha a coincidência) comportamento violento desde o início do relacionamento. Nesse caso, não deram muita importância a esses indícios: Nem a vítima, nem a família, nem a polícia, nem a imprensa, que cedeu bem pouco espaço (comparado ao caso anterior) a essa notícia.
Em março, um ex- jogador de futebol também matou a ex- namorada acidentalmente com 14 facadas e fugiu com o filho. Caso esse, que dispensa comentários.
Em contrapartida, enquanto folhava revistas antigas procurando mais exemplos de crimes passionais, deparei-me com uma revista, contendo uma nota discretíssima sobre a morte da viúva do compositor Dorival Caymmi.
Stella Maris, como era conhecida, faleceu apenas 11 dias depois do marido: Essa sim, seria uma história de amor digna de ocupar um espaço no horário nobre, ou no mínimo um bloco dos telejornais: Foram 68 anos de amor, trabalho, cumplicidade, convivência e versos que figuraram uma das famílias mais melódicas da história da música brasileira.
Stella e Dorival morreram de amor:
Ela foi internada em abril por problemas cardíacos; Ele lutava bravamente contra um câncer renal.
Ela ligava do hospital todos os dias pra saber como ele estava; Ele, diante da coragem e motivação que ela transmitia ia reagindo.
Ela entrou em coma; Ele mesmo sem ser informado, parou de se alimentar e entrou em depressão.
Ela, já sem forças, continuou na mesma; Ele, em pouco mais de uma semana, morreu de tristeza, de ausência, de saudade.
Ela foi encontrá-lo, onze dias depois.
E nenhum meio de comunicação dedicou mais que meia dúzia de palavras sobre o assunto.
Talvez esse mero exemplo de vida conjugal, essa maneira de “morrer de amor” esteja fora de moda.
E não sejam esses valores que importem realmente à mídia.
HISTÓRIAS DO PADRE SALVADOR
Padre Salvador foi pároco de Sarutaiá por quase dois anos, porém sua residência era em Timburi, uma cidade vizinha que ele também atendia.
Ele é do tipo que visita a casa dos fiéis, efetua as bençãos, faz um lanchinho, tira um cochilo e logo pega amizade.
E assim aconteceu com meu pai e minha mãe. Meu pai tornou-se, por um tempo, assistente dele, vivia atrás do Padre Salvador com um caderninho, anotando as casas que deviam visitar, as visitadas, o povo ligava em casa querendo marcar hora com o padre. Teve até casos do Padre confessar pessoas em casa. Tornaram-se bem amigos.
Nesse contexto, de procurar o Padre para aconselhamento, eis que um dos coroinhas, de aproximadamente 17 anos vai lhe pedir um conselho:
- Padre, minha namorada terminou comigo e eu não sei mais o que eu faço...
E o Padre Salvador responde do alto de sua sabedoria, diretíssimo:
- Sei lá o que você faz, eu nunca namorei!
Ele é do tipo que visita a casa dos fiéis, efetua as bençãos, faz um lanchinho, tira um cochilo e logo pega amizade.
E assim aconteceu com meu pai e minha mãe. Meu pai tornou-se, por um tempo, assistente dele, vivia atrás do Padre Salvador com um caderninho, anotando as casas que deviam visitar, as visitadas, o povo ligava em casa querendo marcar hora com o padre. Teve até casos do Padre confessar pessoas em casa. Tornaram-se bem amigos.
Nesse contexto, de procurar o Padre para aconselhamento, eis que um dos coroinhas, de aproximadamente 17 anos vai lhe pedir um conselho:
- Padre, minha namorada terminou comigo e eu não sei mais o que eu faço...
E o Padre Salvador responde do alto de sua sabedoria, diretíssimo:
- Sei lá o que você faz, eu nunca namorei!
sábado, 27 de fevereiro de 2010
HISTÓRIAS DE FAMÍLIA
A família da minha mãe sempre foi muito grande. Meus avós tinham vários irmãos, que consequentemente tiveram muitos filhos, o que gerou também muitos netos e bisnetos, continuando a geração.
Minha tia mais velha, é chamada de Dada, casou-se muito jovem, teve três filhos (que já lhe deram netos e bisnetos também), separou-se muito jovem também, aos 29 anos e nunca mais saiu de casa pra nada. Voltou pra casa dos meus avós, eles morreram e ela continua lá sozinha, até hoje. Ela é do gênio difícil, que simplesmente virou as costas para a vida.
Essa minha tia sempre foi de contar histórias, e eu que apesar de ser do tipo falante, sou também uma boa ouvinte: Adorava quando ela ia em casa e contava histórias.
As melhores eram sobre ela e as primas mais velhas que colocavam o papel de seda que envolvia as maçãs argentinas nas gavetas de roupa, para tudo ficar perfumadinho e da tia, que morava na casa em frente a dela, que ia buscar água no quintal da minha avó e atravessava pelo meio da casa com os baldes cheios, molhando tudo.
E entre essas histórias havia a do Chibanti, um cachorro de estimação que comeu todos os docinhos da festa do José Bonifácio, marido de uma de suas primas, Angelina (Lina).
Nós crescemos ouvindo essa passagem e rindo da situação: Um dia, a história do cachorro comilão virou uma música e eu mostro a letra a seguir, uma letra simples, com uma melodia mais simples ainda, mas que retrata a doce e movimentada infância da minha mãe e de seus irmãos, e marca o início do meu livro de memórias.
CHIBANTI
(Luiza Marim/ João Marim/ Pércio Pereira)
Nada é mais como era antes
Que saudade do Chibanti
Me recordo aqueles dias
Só não tem fotografia
O quadrúpede adorado
Que por todos era amado
Não parava um instante
Que saudade do Chibanti
Mas, um dia numa festa
O cãozinho amarelinho
Num minuto de descuido
Comeu todos canudinhos
E fazê-los não foi fácil
Mas a Dada muito atenta
O serviço do Chibanti
Contou ao Zé Bonifácio
Chibanti o cachorro de verdade
Que deixou muitas saudades
Nos lugares que passou
Tristeza
Sinto falta do animal
Quatro patas, um fucinho
Enchia a casa de carinho
Sozinho
Em latidos dialéticos
Só que tinha um problema
Ele era epilético
Seu nome
Se escreve com CH
Nome belo e elegante
Que saudade do Chibanti...
Que saudade do Chibanti...
Minha tia mais velha, é chamada de Dada, casou-se muito jovem, teve três filhos (que já lhe deram netos e bisnetos também), separou-se muito jovem também, aos 29 anos e nunca mais saiu de casa pra nada. Voltou pra casa dos meus avós, eles morreram e ela continua lá sozinha, até hoje. Ela é do gênio difícil, que simplesmente virou as costas para a vida.
Essa minha tia sempre foi de contar histórias, e eu que apesar de ser do tipo falante, sou também uma boa ouvinte: Adorava quando ela ia em casa e contava histórias.
As melhores eram sobre ela e as primas mais velhas que colocavam o papel de seda que envolvia as maçãs argentinas nas gavetas de roupa, para tudo ficar perfumadinho e da tia, que morava na casa em frente a dela, que ia buscar água no quintal da minha avó e atravessava pelo meio da casa com os baldes cheios, molhando tudo.
E entre essas histórias havia a do Chibanti, um cachorro de estimação que comeu todos os docinhos da festa do José Bonifácio, marido de uma de suas primas, Angelina (Lina).
Nós crescemos ouvindo essa passagem e rindo da situação: Um dia, a história do cachorro comilão virou uma música e eu mostro a letra a seguir, uma letra simples, com uma melodia mais simples ainda, mas que retrata a doce e movimentada infância da minha mãe e de seus irmãos, e marca o início do meu livro de memórias.
CHIBANTI
(Luiza Marim/ João Marim/ Pércio Pereira)
Nada é mais como era antes
Que saudade do Chibanti
Me recordo aqueles dias
Só não tem fotografia
O quadrúpede adorado
Que por todos era amado
Não parava um instante
Que saudade do Chibanti
Mas, um dia numa festa
O cãozinho amarelinho
Num minuto de descuido
Comeu todos canudinhos
E fazê-los não foi fácil
Mas a Dada muito atenta
O serviço do Chibanti
Contou ao Zé Bonifácio
Chibanti o cachorro de verdade
Que deixou muitas saudades
Nos lugares que passou
Tristeza
Sinto falta do animal
Quatro patas, um fucinho
Enchia a casa de carinho
Sozinho
Em latidos dialéticos
Só que tinha um problema
Ele era epilético
Seu nome
Se escreve com CH
Nome belo e elegante
Que saudade do Chibanti...
Que saudade do Chibanti...
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