domingo, 6 de junho de 2010

6 de junho

6 de junho
Eu poderia, mas não vou esperar minha velhice para escrever sobre esta data, se é, que algum dia meu espírito envelhecerá.
Domingo, dia ensolarado, temperatura mais baixa, mas eu adoro. Adoro o outono, as folhas caindo das árvores, os dias mais curtos, o anoitecer precoce, os casacos, as botas, as combinações com gorros e cachecóis, as bebidas quentes e mais fortes.
Ameno, sereno, calmo, transparente, sem alarde e sem muitas comemorações: Assim foram todos os 6 de junho, mesmo os primeiros. Hoje, se mistura há tantas outras datas, perdidas na folhinha, ou no calendário que se abre quando o cursor passa, no lado esquerdo do computador. Na verdade, não sei dizer qual dos dois meios que você utiliza para se localizar no tempo, esta questão consta na lista de coisas que não sei sobre você.
Na verdade não sei nada sobre você, sei o time que você torce porque é uma coisa que todo mundo sabe desde quando você tinha 9 anos idade. Não sei se prefere doce ou salgado? Frio ou calor? Montanha ou praia? Coca ou guaraná? Não sei sua música preferida, seu cantor preferido. Quem é o seu herói? Sente falta de alguém? Tem medo da morte? E do escuro? Quer ter família, carro e casa grandes, quintal com cachorro e três crianças correndo pra lá e pra cá.
O mais triste é pensar que eu nunca soube isso... Que foram anos de convivência e uma enorme lista de questões sem resposta. E porque? Porque um dia ambos acordaram e decidiram não querer mais, definitivamente não querer mais nada. Nem não saber...
Passou o tempo. Já são doze anos desde aquele primeiro 6 de junho.
Às vezes eu me esforço, afinal quero ter uma lembrança dos anos de convivência, uma lembrança boa, poder encontrar com você um dia na rua e dizer: “Bom dia”, “Sim, ele fez parte da minha vida, colaborou para que eu fosse quem sou hoje”, “Sua família é linda”, “Sempre torci muito por você”, “Seja feliz”, “Obrigada”.
Mas, o 6 de junho é só mais uma data, assim como o 13 de fevereiro, o 23 de agosto, o 5 de dezembro. Uma data que, mesmo meio tímida já foi festejada, esperada, lembrada com dor, saudade, ausência. Lembrada num dia, por acaso, ao abrir um celular para receber uma ligação, lembrado num dia de solidão, num quarto vazio e frio, lembrado ao lado de alguém que não significava nada, lembrado hoje, num momento confuso, mas que eu tenho ao meu lado o que sempre me faltou e hoje me completa.
6 de junho é uma data que ficou pra trás, meio esquecida e escondida pelo pó deixado pelos 12 anos de estrada. Pela janela, eu o vejo indo embora, na escuridão, seguido preguiçosamente de um céu estrelado “... São tantas coisinhas miúdas, roendo, comendo, arrasando aos poucos o nosso ideal”.

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