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quinta-feira, 17 de junho de 2010
segunda-feira, 14 de junho de 2010
História rápida I
Quando eu era mais nova, dos 14 até mais ou menos os 17 anos eu ia muito a bailes no Iate Clube, na cidade de Piraju, que fica há 18 km, de Sarutaiá, onde eu morava.
Raramente meus pais me deixavameu dormir na casa de minhas amigas, normalmente eles me levavam para Piraju umas 22:30 e já na ida, combinávamos o horário que meu pai iria me buscar, normalmente as 05:00.
Sempre na ida eu e minhas amigas ouvíamos nossas músicas preferidas, que agora não me recordo muito, mas acredito que a maioria se resumia em estrangeirismos da moda.
Sempre, as 05:00 em ponto meu pai estava na porta da clube, algumas vezes de pijama, outras com roupas típicas, como suas camisas de flanela, o suéter azul claro, que na época já era velho, mas ele usa até hoje, e seu cachecol verde musgo. Meu pai sempre teve um gosto diferenciado para músicas, e na volta era ele quem comandava o som. Eu não discordava, porque pensava: Coitado, acordou 04:30 pra buscar a filha no baile e não tem nem o direito de ouvir suas músicas.
Mas, as músicas preferidas do meu pai eram, pasmem ou não: Hinos! Isso mesmo, meu pai tinha (acho que ainda tem) um CD que contém todas as músicas brasileiras patrióticas possíveis: Hino Nacional, da Bandeira, da República, Canção do Expedicionário, entre outros sucessos. Ora, ele alternava com músicas sertanejas raiz ou os melhores tangos de Garbel, mas na maioria, eram os famosos hinos. No começo eu tinha vergonha, mas com o passar do tempo eu achava meio normal e meus amigos também não reclamavam, afinal, uma carona às 05:00 da manhã não era de se dispensar, ainda mais pela trilha sonora quase exótica.
Hoje, porém, pensei nos pais; Não tanto no meu, porque a fase dos estrangeirismos e outras coisas da moda foi quase meteórica pra mim, mas sim, nos pais em geral. Será que eles também não passaram por situações em que sentiram um pouco de vergonha dos filhos, do comportamento, das companhias, do jeito de agir e se vestir?
Acredito que muitos passem por situações constrangedoras do tipo: - Tenho que levar meu filho e os amigos dele no show do Latino! E eles vão ouvindo o cd novo, ao vivo, o caminho todo! Que vergonha, Meu Deus, onde foi que eu errei?
Raramente meus pais me deixavameu dormir na casa de minhas amigas, normalmente eles me levavam para Piraju umas 22:30 e já na ida, combinávamos o horário que meu pai iria me buscar, normalmente as 05:00.
Sempre na ida eu e minhas amigas ouvíamos nossas músicas preferidas, que agora não me recordo muito, mas acredito que a maioria se resumia em estrangeirismos da moda.
Sempre, as 05:00 em ponto meu pai estava na porta da clube, algumas vezes de pijama, outras com roupas típicas, como suas camisas de flanela, o suéter azul claro, que na época já era velho, mas ele usa até hoje, e seu cachecol verde musgo. Meu pai sempre teve um gosto diferenciado para músicas, e na volta era ele quem comandava o som. Eu não discordava, porque pensava: Coitado, acordou 04:30 pra buscar a filha no baile e não tem nem o direito de ouvir suas músicas.
Mas, as músicas preferidas do meu pai eram, pasmem ou não: Hinos! Isso mesmo, meu pai tinha (acho que ainda tem) um CD que contém todas as músicas brasileiras patrióticas possíveis: Hino Nacional, da Bandeira, da República, Canção do Expedicionário, entre outros sucessos. Ora, ele alternava com músicas sertanejas raiz ou os melhores tangos de Garbel, mas na maioria, eram os famosos hinos. No começo eu tinha vergonha, mas com o passar do tempo eu achava meio normal e meus amigos também não reclamavam, afinal, uma carona às 05:00 da manhã não era de se dispensar, ainda mais pela trilha sonora quase exótica.
Hoje, porém, pensei nos pais; Não tanto no meu, porque a fase dos estrangeirismos e outras coisas da moda foi quase meteórica pra mim, mas sim, nos pais em geral. Será que eles também não passaram por situações em que sentiram um pouco de vergonha dos filhos, do comportamento, das companhias, do jeito de agir e se vestir?
Acredito que muitos passem por situações constrangedoras do tipo: - Tenho que levar meu filho e os amigos dele no show do Latino! E eles vão ouvindo o cd novo, ao vivo, o caminho todo! Que vergonha, Meu Deus, onde foi que eu errei?
domingo, 6 de junho de 2010
6 de junho
6 de junho
Eu poderia, mas não vou esperar minha velhice para escrever sobre esta data, se é, que algum dia meu espírito envelhecerá.
Domingo, dia ensolarado, temperatura mais baixa, mas eu adoro. Adoro o outono, as folhas caindo das árvores, os dias mais curtos, o anoitecer precoce, os casacos, as botas, as combinações com gorros e cachecóis, as bebidas quentes e mais fortes.
Ameno, sereno, calmo, transparente, sem alarde e sem muitas comemorações: Assim foram todos os 6 de junho, mesmo os primeiros. Hoje, se mistura há tantas outras datas, perdidas na folhinha, ou no calendário que se abre quando o cursor passa, no lado esquerdo do computador. Na verdade, não sei dizer qual dos dois meios que você utiliza para se localizar no tempo, esta questão consta na lista de coisas que não sei sobre você.
Na verdade não sei nada sobre você, sei o time que você torce porque é uma coisa que todo mundo sabe desde quando você tinha 9 anos idade. Não sei se prefere doce ou salgado? Frio ou calor? Montanha ou praia? Coca ou guaraná? Não sei sua música preferida, seu cantor preferido. Quem é o seu herói? Sente falta de alguém? Tem medo da morte? E do escuro? Quer ter família, carro e casa grandes, quintal com cachorro e três crianças correndo pra lá e pra cá.
O mais triste é pensar que eu nunca soube isso... Que foram anos de convivência e uma enorme lista de questões sem resposta. E porque? Porque um dia ambos acordaram e decidiram não querer mais, definitivamente não querer mais nada. Nem não saber...
Passou o tempo. Já são doze anos desde aquele primeiro 6 de junho.
Às vezes eu me esforço, afinal quero ter uma lembrança dos anos de convivência, uma lembrança boa, poder encontrar com você um dia na rua e dizer: “Bom dia”, “Sim, ele fez parte da minha vida, colaborou para que eu fosse quem sou hoje”, “Sua família é linda”, “Sempre torci muito por você”, “Seja feliz”, “Obrigada”.
Mas, o 6 de junho é só mais uma data, assim como o 13 de fevereiro, o 23 de agosto, o 5 de dezembro. Uma data que, mesmo meio tímida já foi festejada, esperada, lembrada com dor, saudade, ausência. Lembrada num dia, por acaso, ao abrir um celular para receber uma ligação, lembrado num dia de solidão, num quarto vazio e frio, lembrado ao lado de alguém que não significava nada, lembrado hoje, num momento confuso, mas que eu tenho ao meu lado o que sempre me faltou e hoje me completa.
6 de junho é uma data que ficou pra trás, meio esquecida e escondida pelo pó deixado pelos 12 anos de estrada. Pela janela, eu o vejo indo embora, na escuridão, seguido preguiçosamente de um céu estrelado “... São tantas coisinhas miúdas, roendo, comendo, arrasando aos poucos o nosso ideal”.
Eu poderia, mas não vou esperar minha velhice para escrever sobre esta data, se é, que algum dia meu espírito envelhecerá.
Domingo, dia ensolarado, temperatura mais baixa, mas eu adoro. Adoro o outono, as folhas caindo das árvores, os dias mais curtos, o anoitecer precoce, os casacos, as botas, as combinações com gorros e cachecóis, as bebidas quentes e mais fortes.
Ameno, sereno, calmo, transparente, sem alarde e sem muitas comemorações: Assim foram todos os 6 de junho, mesmo os primeiros. Hoje, se mistura há tantas outras datas, perdidas na folhinha, ou no calendário que se abre quando o cursor passa, no lado esquerdo do computador. Na verdade, não sei dizer qual dos dois meios que você utiliza para se localizar no tempo, esta questão consta na lista de coisas que não sei sobre você.
Na verdade não sei nada sobre você, sei o time que você torce porque é uma coisa que todo mundo sabe desde quando você tinha 9 anos idade. Não sei se prefere doce ou salgado? Frio ou calor? Montanha ou praia? Coca ou guaraná? Não sei sua música preferida, seu cantor preferido. Quem é o seu herói? Sente falta de alguém? Tem medo da morte? E do escuro? Quer ter família, carro e casa grandes, quintal com cachorro e três crianças correndo pra lá e pra cá.
O mais triste é pensar que eu nunca soube isso... Que foram anos de convivência e uma enorme lista de questões sem resposta. E porque? Porque um dia ambos acordaram e decidiram não querer mais, definitivamente não querer mais nada. Nem não saber...
Passou o tempo. Já são doze anos desde aquele primeiro 6 de junho.
Às vezes eu me esforço, afinal quero ter uma lembrança dos anos de convivência, uma lembrança boa, poder encontrar com você um dia na rua e dizer: “Bom dia”, “Sim, ele fez parte da minha vida, colaborou para que eu fosse quem sou hoje”, “Sua família é linda”, “Sempre torci muito por você”, “Seja feliz”, “Obrigada”.
Mas, o 6 de junho é só mais uma data, assim como o 13 de fevereiro, o 23 de agosto, o 5 de dezembro. Uma data que, mesmo meio tímida já foi festejada, esperada, lembrada com dor, saudade, ausência. Lembrada num dia, por acaso, ao abrir um celular para receber uma ligação, lembrado num dia de solidão, num quarto vazio e frio, lembrado ao lado de alguém que não significava nada, lembrado hoje, num momento confuso, mas que eu tenho ao meu lado o que sempre me faltou e hoje me completa.
6 de junho é uma data que ficou pra trás, meio esquecida e escondida pelo pó deixado pelos 12 anos de estrada. Pela janela, eu o vejo indo embora, na escuridão, seguido preguiçosamente de um céu estrelado “... São tantas coisinhas miúdas, roendo, comendo, arrasando aos poucos o nosso ideal”.
terça-feira, 13 de abril de 2010
Obituário
Dramalhões a parte, hoje eu soube que a publicidade perdeu um nome, ou quase um nome, ficou manca de uma perna, torta para um lado. Meio sem chão.
A menina do nariz arrebitado, que não é do Monteiro Lobato, a moça do mundo cor-de-rosa, de personalidade forte, de olhar marcante, cabelo liso e as vezes franjinha.
Aquela que já plantou uma árvore, de caju (que com sal e pinga Nega Fulô é muito bom), que não tem um filho, mas já me confessou, em off, que já pensou num nome pra ele. Ela casou, e talvez até use uma aliança, que eu sei que ela também já está escolhendo. E juntas, vamos escrever um livro (um filme ou seriado também valem).
Ela, que guardava as idéias na manga, como um mágico ou o melhor jogador de carteado, com sua sequencia de cartas prontas, a esperar pelo momento certo.
Aqui jaz uma publicitária, e sua bagagem de idéias: Slogans a espera da imagem perfeita, textos a espera do roteiro ideal, palavras soltas, que juntas diziam tudo, palavras saídas do coração . Adeus às respostas na ponta da língua, e explicações para o inexplicável.
Fiquei triste, porque tínhamos planos, investir num trio de criação, com duas redatoras e um diretor de arte, íamos emocionar o mundo com nossas propagandas de apelo emocional. Porque passaríamos noites em claro com um briefing na mão e comemoraríamos o dead line com champanhe no outro dia.
Ela mudou de vida, de cidade, de ares, de idéia... E o mundo da Moda com certeza vai pagar pra ver.
Em seguida fiquei feliz. Pelo simples fato dela estar feliz.
A hora certa? Ela já se deu conta. E não teve medo de começar de novo, zerar o cronômetro, agora é fé em Deus e pé na tábua, como ela mesma gosta de dizer.
Mas sinto pela minha publicitária preferida. E o mundo vai sentir também.
Mas eu vou continuar, eu fiz essa escolha e vou até o fim (e ela sabe como ninguém que tenho dificuldades para voltar, reconhecer que estava errada, que é hora de mudar) Mas ela me aceita, me admira, tem orgulho... E pra mim é isso que importa.
Eu vou seguindo com minhas idéias anotadas nos inúmeros papéis.
E ela sabe que se precisar é só estender a mão.
Eu também sei.
A menina do nariz arrebitado, que não é do Monteiro Lobato, a moça do mundo cor-de-rosa, de personalidade forte, de olhar marcante, cabelo liso e as vezes franjinha.
Aquela que já plantou uma árvore, de caju (que com sal e pinga Nega Fulô é muito bom), que não tem um filho, mas já me confessou, em off, que já pensou num nome pra ele. Ela casou, e talvez até use uma aliança, que eu sei que ela também já está escolhendo. E juntas, vamos escrever um livro (um filme ou seriado também valem).
Ela, que guardava as idéias na manga, como um mágico ou o melhor jogador de carteado, com sua sequencia de cartas prontas, a esperar pelo momento certo.
Aqui jaz uma publicitária, e sua bagagem de idéias: Slogans a espera da imagem perfeita, textos a espera do roteiro ideal, palavras soltas, que juntas diziam tudo, palavras saídas do coração . Adeus às respostas na ponta da língua, e explicações para o inexplicável.
Fiquei triste, porque tínhamos planos, investir num trio de criação, com duas redatoras e um diretor de arte, íamos emocionar o mundo com nossas propagandas de apelo emocional. Porque passaríamos noites em claro com um briefing na mão e comemoraríamos o dead line com champanhe no outro dia.
Ela mudou de vida, de cidade, de ares, de idéia... E o mundo da Moda com certeza vai pagar pra ver.
Em seguida fiquei feliz. Pelo simples fato dela estar feliz.
A hora certa? Ela já se deu conta. E não teve medo de começar de novo, zerar o cronômetro, agora é fé em Deus e pé na tábua, como ela mesma gosta de dizer.
Mas sinto pela minha publicitária preferida. E o mundo vai sentir também.
Mas eu vou continuar, eu fiz essa escolha e vou até o fim (e ela sabe como ninguém que tenho dificuldades para voltar, reconhecer que estava errada, que é hora de mudar) Mas ela me aceita, me admira, tem orgulho... E pra mim é isso que importa.
Eu vou seguindo com minhas idéias anotadas nos inúmeros papéis.
E ela sabe que se precisar é só estender a mão.
Eu também sei.
segunda-feira, 5 de abril de 2010
O mistério Machadiano
Passados mais de 100 anos da morte de Machado de Assis, poucas passagens ainda sustentam tanto destaque na literatura Brasileira como as do olhar misterioso e enigmático de Capitu, descritos impecavelmente como: “olhos de cigana obliqua e dissimulada”, e ao mergulharmos mais profundamente na leitura, também encontramos seu olhar intrigante apresentado como “Olhos de ressaca”.
Machado ainda ocupa grande espaço, desde as mídias até as discussões e grupos de estudo: Dificilmente encontra-se uma lista de leitura exigida nos vestibulares brasileiros que não contenha “Dom Casmurro” grande obra desse brilhante escritor.
Capitu caiu no gosto popular (ou quase) no ano final de 2008, quando numa versão erudita foi notavelmente vivida (enquanto adulta) pela atriz Maria Fernanda Cândido na minissérie global, baseada no romance de 1899, que consta como a obra brasileira mais traduzida para outros idiomas.
Até a emissora número um (segundo o ibope) da televisão aberta cedeu aos encantos de Capitu, produzindo uma série lúdica e encantadora, reproduzindo ao pé da letra diálogos e cenas que sempre se inquietaram na mente dos seguidores e admiradores desse gênero literário, o realismo, merecedor de elogios e críticas ferrenhas, desde seu início, em 1881, com a obra Memórias Póstumas de Brás Cubas, a ousada trajetória do defunto autor.
Machado é um mito, e seus personagens são verdadeiros merecedores de um espaço na mídia, como em minisséries, no caso de Capitu (2008), ou em adaptações para o cinema, como Capitu, de Paulo César Saraceni (1968), Criador e criatura - o encontro de Machado e Capitu de Flávio Aguiar e Ariclê Perez (1999), Capitu, de Marcus Vinicíus Faustini (1999), Dom de Moacyr Góes (2003) e para ópera, Dom Casmurro, de Ronaldo Miranda e Orlando Codá (1992).
O texto de Machado em Dom Casmurro, e sua adaptações expressam conteúdo, emoção, paixão, intriga e devaneios, deixando tudo sutilmente no ar, numa discussão que atravessa anos: O carater da menina dos olhos negros e profundos; Menina ou mulher? Todos os leitores (e admiradores) se deleitaram com o amadurecimento e despertar de Capitu para vida e para a sociedade carioca.
Mas, o que existe de tão especial na pseudo-aspirante a “carola” que ainda criança se apaixona pelo menino prometido ao clero: Um menino frágil, franzino e medroso, que passa metade da vida temendo a Deus por promessas não cumpridas.
Capitu representa a ousadia, a liberdade ansiada por grande parte das mulheres do século XIX, senão dos dias atuais. Ela mantém o brilho no olhar e sempre enxerga além, para longe dos padrões impostos: A mulher que a bucólica feminilidade brasileira espera se tornar: A mulher que rompe barreiras do machismo e da submissão, embora para aquela época, tantas aventuras fossem apenas, discretamente, permitidas na ficção.
E Bentinho murchava gradativamente com o desabrochar de Capitu, e enlouquecia com a velocidade com que a amada se tornava uma mulher pouco convencional (pelo menos aos seus olhos). Ela era dona de seus deveres e direitos, enquanto a Bentinho, só restavam fantasias e delírios.
É o inesperado desse romance que ainda fascina e desperta tantas discussões e a curiosidade de realitas, estudiosos, ou simples admiradores, que ainda não aprenderam a se contentar com a cultura empobrecida e alienada popularizada riducularmente (salvo raras excessões) pela mídia brasileira.
Machado ainda ocupa grande espaço, desde as mídias até as discussões e grupos de estudo: Dificilmente encontra-se uma lista de leitura exigida nos vestibulares brasileiros que não contenha “Dom Casmurro” grande obra desse brilhante escritor.
Capitu caiu no gosto popular (ou quase) no ano final de 2008, quando numa versão erudita foi notavelmente vivida (enquanto adulta) pela atriz Maria Fernanda Cândido na minissérie global, baseada no romance de 1899, que consta como a obra brasileira mais traduzida para outros idiomas.
Até a emissora número um (segundo o ibope) da televisão aberta cedeu aos encantos de Capitu, produzindo uma série lúdica e encantadora, reproduzindo ao pé da letra diálogos e cenas que sempre se inquietaram na mente dos seguidores e admiradores desse gênero literário, o realismo, merecedor de elogios e críticas ferrenhas, desde seu início, em 1881, com a obra Memórias Póstumas de Brás Cubas, a ousada trajetória do defunto autor.
Machado é um mito, e seus personagens são verdadeiros merecedores de um espaço na mídia, como em minisséries, no caso de Capitu (2008), ou em adaptações para o cinema, como Capitu, de Paulo César Saraceni (1968), Criador e criatura - o encontro de Machado e Capitu de Flávio Aguiar e Ariclê Perez (1999), Capitu, de Marcus Vinicíus Faustini (1999), Dom de Moacyr Góes (2003) e para ópera, Dom Casmurro, de Ronaldo Miranda e Orlando Codá (1992).
O texto de Machado em Dom Casmurro, e sua adaptações expressam conteúdo, emoção, paixão, intriga e devaneios, deixando tudo sutilmente no ar, numa discussão que atravessa anos: O carater da menina dos olhos negros e profundos; Menina ou mulher? Todos os leitores (e admiradores) se deleitaram com o amadurecimento e despertar de Capitu para vida e para a sociedade carioca.
Mas, o que existe de tão especial na pseudo-aspirante a “carola” que ainda criança se apaixona pelo menino prometido ao clero: Um menino frágil, franzino e medroso, que passa metade da vida temendo a Deus por promessas não cumpridas.
Capitu representa a ousadia, a liberdade ansiada por grande parte das mulheres do século XIX, senão dos dias atuais. Ela mantém o brilho no olhar e sempre enxerga além, para longe dos padrões impostos: A mulher que a bucólica feminilidade brasileira espera se tornar: A mulher que rompe barreiras do machismo e da submissão, embora para aquela época, tantas aventuras fossem apenas, discretamente, permitidas na ficção.
E Bentinho murchava gradativamente com o desabrochar de Capitu, e enlouquecia com a velocidade com que a amada se tornava uma mulher pouco convencional (pelo menos aos seus olhos). Ela era dona de seus deveres e direitos, enquanto a Bentinho, só restavam fantasias e delírios.
É o inesperado desse romance que ainda fascina e desperta tantas discussões e a curiosidade de realitas, estudiosos, ou simples admiradores, que ainda não aprenderam a se contentar com a cultura empobrecida e alienada popularizada riducularmente (salvo raras excessões) pela mídia brasileira.
sexta-feira, 19 de março de 2010
A vendedora de sonhos de goiabada
Ela já quis ser bailarina
Fez aulas de teclado
Aprendeu um pouco de inglês, o outro pouco ela esqueceu.
Arranhava um pouco de espanhol, bem pouco.
Ela cresceu:
O pai falou em Direito
Ela pensou em Letras
A mãe, a madrinha e mais meia dúzia de amigas delas, também professoras, disseram não.
Ela sozinha conheceu a publicidade
E se apaixonou
Durante a faculdade a vida lhe deu um presente: Uma amiga. Daquelas bem falantes, constante e intensa. Única... Só dela. E a cada vez que elas se encontram, podem ter se passado meses, ou até anos, mas a sensação é a mesma: De que se viram há poucos minutos. O assunto e a afeição são cada vez maiores.
Lá ela também conheceu um grande amigo, que chegou a pensar que era amor. Mas não era e nem era dela.
Ela terminou a faculdade.
Formou-se numa festa linda, mas linda mesmo.
Mas ela estava tão encantada com o momento que se esqueceu das fotos.
E chorou por isso quando o dia amanheceu
Mal sabia que aquelas imagens ficariam guardadas, de uma maneira mais que especial, pra sempre em sua memória, de um jeito único. De um jeito só dela, que só ela conheceria.
Hoje ela sabe disso, sempre que deseja, todas aquelas imagens reacendem em sua memória. E quando ela lembra da manhã seguinte a sua formatura, ela ri e pensa: Boba!
Ela foi trabalhar e também conheceu muita gente: Pessoas boas, que só queriam ajudar; Pessoas companheiras que queriam estar sempre por perto; Pessoas ruins que desejavam e faziam mal; Pessoas tristes e maltratadas pela vida e pessoas que eram tristes e maltratadas por elas mesmas. E esse foi seu primeiro contato com o mundo real.
Também conheceu o amor. E ela tinha certeza desde o começo que era amor. E só seu.
E a cidade do interior ficou pequena e longínqua pra tanto amor e tantas idéias.
E pra dar certo, ela correu atrás. Ela mudou.
Mas não mudou por ele, mudou por ela mesma.
Ela virou mulher, mas às vezes deixa transparecer a linda menina que mora em seus olhos.
E junto com essas mudanças vieram responsabilidades, como acordar cedo sozinha, comprar uma máquina de lavar e falar pouco ao telefone.
Ela tem um emprego na cidade grande. Um emprego que também lhe foi um presente de uma “nova” família que ela começou a amar espontaneamente.
Ela gosta do emprego. Mas não convence a ninguém, nem a ela mesma.
Mas é preciso... É preciso pra amadurecer de verdade.
Ela quer crescer, mas não consegue ir sem a publicidade, sem suas folhas rabiscadas, sem seus pensamentos soltos. Nem lhe passa pela cabeça deixar tudo isso para trás.
Ela tem grandes sonhos, dentre eles viajar pelo mundo.
Ela já plantou uma árvore, em 2000, ainda no colégio, na comemoração de 500 anos do Brasil. Era um Pau-Brasil.
Quer escrever um livro, a curto prazo
Quer ter um filho (talvez dois, ou até três), mas isso é a longo prazo
Às vezes ela tenta ser como as pessoas comuns.
Mas só tenta.
Ela só quer uma sala arejada, pintada de lilás ou verde limão, com um computador e muito papel, para que possa escrever o que quiser e quanto quiser.
Ela precisa escrever. Escrever faz parte de suas funções vitais. Pra ela é como respirar, comer e dormir.
E olha que ela dorme. E se inspira antes de dormir. Tem papel e caneta ao lado do colchão.
A noite é uma grande conselheira e confidente.
Ela confidencia muitas coisas a noite. Principalmente seus medos: O maior deles é ter que deixar seus textos para trás, para ninguém.
E por ter esse medo ela pára para escrever:
Ela escreve enquanto vê televisão, enquanto lava a roupa e cozinha; Interrompe o banho pra escrever (Sim, ela leva papel e caneta para o banheiro).
Ela escreve no terminal esperando o ônibus, enquanto vê as pessoas passarem.
Enquanto algumas pessoas passam, outras simplesmente vivem.
Ela escreve e essa é sua vida.
Assim o tempo passa.
Ela vê a vendedora de sonhos, que já vendeu todos os de goiabada.
Seu ônibus chega.
Ela entra, senta, se aconchega, guarda o lápis e o papel e vai em paz, com a alma leve.
Fez aulas de teclado
Aprendeu um pouco de inglês, o outro pouco ela esqueceu.
Arranhava um pouco de espanhol, bem pouco.
Ela cresceu:
O pai falou em Direito
Ela pensou em Letras
A mãe, a madrinha e mais meia dúzia de amigas delas, também professoras, disseram não.
Ela sozinha conheceu a publicidade
E se apaixonou
Durante a faculdade a vida lhe deu um presente: Uma amiga. Daquelas bem falantes, constante e intensa. Única... Só dela. E a cada vez que elas se encontram, podem ter se passado meses, ou até anos, mas a sensação é a mesma: De que se viram há poucos minutos. O assunto e a afeição são cada vez maiores.
Lá ela também conheceu um grande amigo, que chegou a pensar que era amor. Mas não era e nem era dela.
Ela terminou a faculdade.
Formou-se numa festa linda, mas linda mesmo.
Mas ela estava tão encantada com o momento que se esqueceu das fotos.
E chorou por isso quando o dia amanheceu
Mal sabia que aquelas imagens ficariam guardadas, de uma maneira mais que especial, pra sempre em sua memória, de um jeito único. De um jeito só dela, que só ela conheceria.
Hoje ela sabe disso, sempre que deseja, todas aquelas imagens reacendem em sua memória. E quando ela lembra da manhã seguinte a sua formatura, ela ri e pensa: Boba!
Ela foi trabalhar e também conheceu muita gente: Pessoas boas, que só queriam ajudar; Pessoas companheiras que queriam estar sempre por perto; Pessoas ruins que desejavam e faziam mal; Pessoas tristes e maltratadas pela vida e pessoas que eram tristes e maltratadas por elas mesmas. E esse foi seu primeiro contato com o mundo real.
Também conheceu o amor. E ela tinha certeza desde o começo que era amor. E só seu.
E a cidade do interior ficou pequena e longínqua pra tanto amor e tantas idéias.
E pra dar certo, ela correu atrás. Ela mudou.
Mas não mudou por ele, mudou por ela mesma.
Ela virou mulher, mas às vezes deixa transparecer a linda menina que mora em seus olhos.
E junto com essas mudanças vieram responsabilidades, como acordar cedo sozinha, comprar uma máquina de lavar e falar pouco ao telefone.
Ela tem um emprego na cidade grande. Um emprego que também lhe foi um presente de uma “nova” família que ela começou a amar espontaneamente.
Ela gosta do emprego. Mas não convence a ninguém, nem a ela mesma.
Mas é preciso... É preciso pra amadurecer de verdade.
Ela quer crescer, mas não consegue ir sem a publicidade, sem suas folhas rabiscadas, sem seus pensamentos soltos. Nem lhe passa pela cabeça deixar tudo isso para trás.
Ela tem grandes sonhos, dentre eles viajar pelo mundo.
Ela já plantou uma árvore, em 2000, ainda no colégio, na comemoração de 500 anos do Brasil. Era um Pau-Brasil.
Quer escrever um livro, a curto prazo
Quer ter um filho (talvez dois, ou até três), mas isso é a longo prazo
Às vezes ela tenta ser como as pessoas comuns.
Mas só tenta.
Ela só quer uma sala arejada, pintada de lilás ou verde limão, com um computador e muito papel, para que possa escrever o que quiser e quanto quiser.
Ela precisa escrever. Escrever faz parte de suas funções vitais. Pra ela é como respirar, comer e dormir.
E olha que ela dorme. E se inspira antes de dormir. Tem papel e caneta ao lado do colchão.
A noite é uma grande conselheira e confidente.
Ela confidencia muitas coisas a noite. Principalmente seus medos: O maior deles é ter que deixar seus textos para trás, para ninguém.
E por ter esse medo ela pára para escrever:
Ela escreve enquanto vê televisão, enquanto lava a roupa e cozinha; Interrompe o banho pra escrever (Sim, ela leva papel e caneta para o banheiro).
Ela escreve no terminal esperando o ônibus, enquanto vê as pessoas passarem.
Enquanto algumas pessoas passam, outras simplesmente vivem.
Ela escreve e essa é sua vida.
Assim o tempo passa.
Ela vê a vendedora de sonhos, que já vendeu todos os de goiabada.
Seu ônibus chega.
Ela entra, senta, se aconchega, guarda o lápis e o papel e vai em paz, com a alma leve.
domingo, 7 de março de 2010
Saudade
Estou há horas parada, olhando fixamente para a folha em branco.
Será que eu posso ir aí na sua casa? Sinara, 5º Andar, a gente joga os colchões na sala, seleciona uma playlist daquelas (pode até ter pagode, mas não conta pra ninguém).
Como está frio, eu posso levar meu edredon rosa ou, até ir de pijama e All Star.
Se tiver chovendo, você vem me buscar de guarda chuva.
E depois, pra tentar chamar o sono, você pode preparar um chocolate quente, e enfeitar a borda com leite condensado e chocolate em pó.
E depois que o texto sair, podemos dormir, ou melhor, apagar a luz, passar todos os canais da TV (às três da manhã tem uma programação estupenda, digna de crítica)... A gente faz um esforço e critica todos.
Daí quando o sol estiver nascendo, a gente se rende ao sono... E dorme com os lábios até adormecidos de tanto riso e os olhos meio inchados, de sono e de lágrimas... Quem sabe de Allegra.
Eu sei que isso não é possível agora, mas já foi... Inúmeras vezes!
E quando a saudade bate, eu abro meu baú de coisinhas felizes, onde eu encontro fotos, papel de bala, ingressos de cinema, bilhete de viagens, cartões e o mundo de sensações, que poucas pessoas têm o privilégio de experimentar...
Eu fecho os olhos e tudo acontece mentalmente, numa perfeita riqueza de detalhes
Eu respiro fundo e sorrio para o nada... Na verdade é pra você!
Pode ter certeza, que eu continuo, mesmo de longe, usando o nariz de palhaço, só pra te fazer rir, cortando o caminho pra te encontrar mais cedo, esticando o pescoço pra te achar, pra você nunca se sentir perdida e sozinha...
Enfim, com você eu nunca terei medo de me sentir ridícula!
Amo... Infinito
Será que eu posso ir aí na sua casa? Sinara, 5º Andar, a gente joga os colchões na sala, seleciona uma playlist daquelas (pode até ter pagode, mas não conta pra ninguém).
Como está frio, eu posso levar meu edredon rosa ou, até ir de pijama e All Star.
Se tiver chovendo, você vem me buscar de guarda chuva.
E depois, pra tentar chamar o sono, você pode preparar um chocolate quente, e enfeitar a borda com leite condensado e chocolate em pó.
E depois que o texto sair, podemos dormir, ou melhor, apagar a luz, passar todos os canais da TV (às três da manhã tem uma programação estupenda, digna de crítica)... A gente faz um esforço e critica todos.
Daí quando o sol estiver nascendo, a gente se rende ao sono... E dorme com os lábios até adormecidos de tanto riso e os olhos meio inchados, de sono e de lágrimas... Quem sabe de Allegra.
Eu sei que isso não é possível agora, mas já foi... Inúmeras vezes!
E quando a saudade bate, eu abro meu baú de coisinhas felizes, onde eu encontro fotos, papel de bala, ingressos de cinema, bilhete de viagens, cartões e o mundo de sensações, que poucas pessoas têm o privilégio de experimentar...
Eu fecho os olhos e tudo acontece mentalmente, numa perfeita riqueza de detalhes
Eu respiro fundo e sorrio para o nada... Na verdade é pra você!
Pode ter certeza, que eu continuo, mesmo de longe, usando o nariz de palhaço, só pra te fazer rir, cortando o caminho pra te encontrar mais cedo, esticando o pescoço pra te achar, pra você nunca se sentir perdida e sozinha...
Enfim, com você eu nunca terei medo de me sentir ridícula!
Amo... Infinito
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