segunda-feira, 21 de junho de 2010

Quatro vacas

Meu irmão mais novo é compositor (iniciante, nas horas vagas), dentro de seu acervo, por exemplo, encontra-se a canção Chibanti, que já foi postada nesse blog, juntamente com seu conteúdo histórico-cultural.
Tempos atrás, João compôs a canção “Quatro vacas” e resolveu mostrar sua obra de arte ao nosso primo, Maurício, de 12 anos de idade, que dentre suas preferências estão os desenhos Dragon Ball Z e Naruto e seu time do coração é o Palmeiras, embora sua mãe tenha tentado persuadi-lo a ser São Paulino.
Enfim, num belo dia meu irmão apresentou a música ao Maurício, com direito ao acompanhamento da guitarra. Eis a letra:

“Menina, pare com isso, ainda te amo
Mas você é uma vaca e todos nós sabemos (3 vezes)
Sua mãe, não toma conhecimento, é outra besta
São duas vacas e todos nós sabemos (3 vezes)
Sua tia, tá sempre na esquina
Já são três vacas e todos nós sabemos (3 vezes)
Faltou sua avó, dona da zona
São quatro vacas e todos nos sabemos (3)”.


A canção foi complementada por um solo de guitarra, e ao final, singelamente, Maurício expressou sua opinião:
- Olha cara, ficou bom, mas acho que você tinha que tirar esse negócio de vaca.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

O redator publicitário

Qual redator publicitário não gostaria de sair em busca de um emprego com uma pasta recheada de peças? Com um volume significativo de ideias prontas mostrando que ele não tem apenas talento, ou a sorte de estar concorrendo àquela vaga, mas que mostre o que ele sabe fazer.
Dizem que boas ideias são sempre bem-vindas, já no mundo da publicidade as boas ideias são bem-vindas e necessárias, títulos bem construídos, conceitos com soluções visuais, aquele texto tocante que chega direto ao emocional do consumidor, ideias inovadoras, mídias alternativas, projetos, algo que enchesse os olhos do diretor de arte, do empresário, do RH, de toda empresa.
Uma propaganda de meias, veiculada no dia dos namorados, pela TV, onde se mostrasse que todo mundo precisa de alguém: Um alguém para um jantar romântico, para aquele cineminha regado a pipoca, refrigerante e outras “porcarias” vendidas nas lojas de departamento, para aquela corrida no parque na tarde de sol, um alguém para tomar aquele chocolate quente na noite fria de inverno, pra pular carnaval abraçado naquela muvuca no nordeste do Brasil, alguém pra passear de gôndola na lua-de-mel em Veneza, pra tomar vinho na sacada do apartamento, olhando as estrelas, sem ter nada pra comemorar. Em situações como essa, um slogan como “Todo mundo precisa de um par”, seria mais que sugestivo, seria perfeito.
Ou simplesmente uma propaganda de um bombom tradicional no mercado, que se dedicasse a explanar sobre um dos melhores sabores da vida: o do beijo apaixonado como na infância, o sabor do primeiro beijo, depois, na adolescência, o sabor do beijo proibido, roubado bem rapidinho, no portão do colégio. Ou, logo após o “sim” o sabor do beijo consumado, o abre-alas de um mundo de sonhos.
Muitas ideias moram na mente de um redator, como a singela frase, completada por um abraço ao fundo: O melhor da saudade... É matar a saudade. Sugestivo, talvez, para uma companhia aérea.
Enfim, as idéias existem, e povoam a mente do redator, às vezes o que falta é uma oportunidades de elas serem vistas, lidas, usadas... É o que estou procurando, e de onde vieram essas têm muito mais!

Contatos

Como a vida não é feita só de boa histórias para serem lidas e ouvidas, preciso deste espaço para divulgar meu currículo.
Luiza Marim é redatora, está disponível para o mercado de trabalho e também para freelancer.
Se alguém puder dar uma forcinha é só deixar o contato aqui, nos comentários ou por:

Email: marimluiza@gmail.com/
Orkut: Luiza Elena Marim (é só me procurar)
Facebook: Luiza Marim (Também estou por lá)
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E por fim no www.formspring.me/marimluiza

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segunda-feira, 14 de junho de 2010

História rápida I

Quando eu era mais nova, dos 14 até mais ou menos os 17 anos eu ia muito a bailes no Iate Clube, na cidade de Piraju, que fica há 18 km, de Sarutaiá, onde eu morava.
Raramente meus pais me deixavameu dormir na casa de minhas amigas, normalmente eles me levavam para Piraju umas 22:30 e já na ida, combinávamos o horário que meu pai iria me buscar, normalmente as 05:00.
Sempre na ida eu e minhas amigas ouvíamos nossas músicas preferidas, que agora não me recordo muito, mas acredito que a maioria se resumia em estrangeirismos da moda.
Sempre, as 05:00 em ponto meu pai estava na porta da clube, algumas vezes de pijama, outras com roupas típicas, como suas camisas de flanela, o suéter azul claro, que na época já era velho, mas ele usa até hoje, e seu cachecol verde musgo. Meu pai sempre teve um gosto diferenciado para músicas, e na volta era ele quem comandava o som. Eu não discordava, porque pensava: Coitado, acordou 04:30 pra buscar a filha no baile e não tem nem o direito de ouvir suas músicas.
Mas, as músicas preferidas do meu pai eram, pasmem ou não: Hinos! Isso mesmo, meu pai tinha (acho que ainda tem) um CD que contém todas as músicas brasileiras patrióticas possíveis: Hino Nacional, da Bandeira, da República, Canção do Expedicionário, entre outros sucessos. Ora, ele alternava com músicas sertanejas raiz ou os melhores tangos de Garbel, mas na maioria, eram os famosos hinos. No começo eu tinha vergonha, mas com o passar do tempo eu achava meio normal e meus amigos também não reclamavam, afinal, uma carona às 05:00 da manhã não era de se dispensar, ainda mais pela trilha sonora quase exótica.
Hoje, porém, pensei nos pais; Não tanto no meu, porque a fase dos estrangeirismos e outras coisas da moda foi quase meteórica pra mim, mas sim, nos pais em geral. Será que eles também não passaram por situações em que sentiram um pouco de vergonha dos filhos, do comportamento, das companhias, do jeito de agir e se vestir?
Acredito que muitos passem por situações constrangedoras do tipo: - Tenho que levar meu filho e os amigos dele no show do Latino! E eles vão ouvindo o cd novo, ao vivo, o caminho todo! Que vergonha, Meu Deus, onde foi que eu errei?

domingo, 6 de junho de 2010

6 de junho

6 de junho
Eu poderia, mas não vou esperar minha velhice para escrever sobre esta data, se é, que algum dia meu espírito envelhecerá.
Domingo, dia ensolarado, temperatura mais baixa, mas eu adoro. Adoro o outono, as folhas caindo das árvores, os dias mais curtos, o anoitecer precoce, os casacos, as botas, as combinações com gorros e cachecóis, as bebidas quentes e mais fortes.
Ameno, sereno, calmo, transparente, sem alarde e sem muitas comemorações: Assim foram todos os 6 de junho, mesmo os primeiros. Hoje, se mistura há tantas outras datas, perdidas na folhinha, ou no calendário que se abre quando o cursor passa, no lado esquerdo do computador. Na verdade, não sei dizer qual dos dois meios que você utiliza para se localizar no tempo, esta questão consta na lista de coisas que não sei sobre você.
Na verdade não sei nada sobre você, sei o time que você torce porque é uma coisa que todo mundo sabe desde quando você tinha 9 anos idade. Não sei se prefere doce ou salgado? Frio ou calor? Montanha ou praia? Coca ou guaraná? Não sei sua música preferida, seu cantor preferido. Quem é o seu herói? Sente falta de alguém? Tem medo da morte? E do escuro? Quer ter família, carro e casa grandes, quintal com cachorro e três crianças correndo pra lá e pra cá.
O mais triste é pensar que eu nunca soube isso... Que foram anos de convivência e uma enorme lista de questões sem resposta. E porque? Porque um dia ambos acordaram e decidiram não querer mais, definitivamente não querer mais nada. Nem não saber...
Passou o tempo. Já são doze anos desde aquele primeiro 6 de junho.
Às vezes eu me esforço, afinal quero ter uma lembrança dos anos de convivência, uma lembrança boa, poder encontrar com você um dia na rua e dizer: “Bom dia”, “Sim, ele fez parte da minha vida, colaborou para que eu fosse quem sou hoje”, “Sua família é linda”, “Sempre torci muito por você”, “Seja feliz”, “Obrigada”.
Mas, o 6 de junho é só mais uma data, assim como o 13 de fevereiro, o 23 de agosto, o 5 de dezembro. Uma data que, mesmo meio tímida já foi festejada, esperada, lembrada com dor, saudade, ausência. Lembrada num dia, por acaso, ao abrir um celular para receber uma ligação, lembrado num dia de solidão, num quarto vazio e frio, lembrado ao lado de alguém que não significava nada, lembrado hoje, num momento confuso, mas que eu tenho ao meu lado o que sempre me faltou e hoje me completa.
6 de junho é uma data que ficou pra trás, meio esquecida e escondida pelo pó deixado pelos 12 anos de estrada. Pela janela, eu o vejo indo embora, na escuridão, seguido preguiçosamente de um céu estrelado “... São tantas coisinhas miúdas, roendo, comendo, arrasando aos poucos o nosso ideal”.

terça-feira, 13 de abril de 2010

Obituário

Dramalhões a parte, hoje eu soube que a publicidade perdeu um nome, ou quase um nome, ficou manca de uma perna, torta para um lado. Meio sem chão.
A menina do nariz arrebitado, que não é do Monteiro Lobato, a moça do mundo cor-de-rosa, de personalidade forte, de olhar marcante, cabelo liso e as vezes franjinha.
Aquela que já plantou uma árvore, de caju (que com sal e pinga Nega Fulô é muito bom), que não tem um filho, mas já me confessou, em off, que já pensou num nome pra ele. Ela casou, e talvez até use uma aliança, que eu sei que ela também já está escolhendo. E juntas, vamos escrever um livro (um filme ou seriado também valem).
Ela, que guardava as idéias na manga, como um mágico ou o melhor jogador de carteado, com sua sequencia de cartas prontas, a esperar pelo momento certo.
Aqui jaz uma publicitária, e sua bagagem de idéias: Slogans a espera da imagem perfeita, textos a espera do roteiro ideal, palavras soltas, que juntas diziam tudo, palavras saídas do coração . Adeus às respostas na ponta da língua, e explicações para o inexplicável.
Fiquei triste, porque tínhamos planos, investir num trio de criação, com duas redatoras e um diretor de arte, íamos emocionar o mundo com nossas propagandas de apelo emocional. Porque passaríamos noites em claro com um briefing na mão e comemoraríamos o dead line com champanhe no outro dia.
Ela mudou de vida, de cidade, de ares, de idéia... E o mundo da Moda com certeza vai pagar pra ver.
Em seguida fiquei feliz. Pelo simples fato dela estar feliz.
A hora certa? Ela já se deu conta. E não teve medo de começar de novo, zerar o cronômetro, agora é fé em Deus e pé na tábua, como ela mesma gosta de dizer.
Mas sinto pela minha publicitária preferida. E o mundo vai sentir também.
Mas eu vou continuar, eu fiz essa escolha e vou até o fim (e ela sabe como ninguém que tenho dificuldades para voltar, reconhecer que estava errada, que é hora de mudar) Mas ela me aceita, me admira, tem orgulho... E pra mim é isso que importa.
Eu vou seguindo com minhas idéias anotadas nos inúmeros papéis.
E ela sabe que se precisar é só estender a mão.
Eu também sei.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

O mistério Machadiano

Passados mais de 100 anos da morte de Machado de Assis, poucas passagens ainda sustentam tanto destaque na literatura Brasileira como as do olhar misterioso e enigmático de Capitu, descritos impecavelmente como: “olhos de cigana obliqua e dissimulada”, e ao mergulharmos mais profundamente na leitura, também encontramos seu olhar intrigante apresentado como “Olhos de ressaca”.
Machado ainda ocupa grande espaço, desde as mídias até as discussões e grupos de estudo: Dificilmente encontra-se uma lista de leitura exigida nos vestibulares brasileiros que não contenha “Dom Casmurro” grande obra desse brilhante escritor.
Capitu caiu no gosto popular (ou quase) no ano final de 2008, quando numa versão erudita foi notavelmente vivida (enquanto adulta) pela atriz Maria Fernanda Cândido na minissérie global, baseada no romance de 1899, que consta como a obra brasileira mais traduzida para outros idiomas.
Até a emissora número um (segundo o ibope) da televisão aberta cedeu aos encantos de Capitu, produzindo uma série lúdica e encantadora, reproduzindo ao pé da letra diálogos e cenas que sempre se inquietaram na mente dos seguidores e admiradores desse gênero literário, o realismo, merecedor de elogios e críticas ferrenhas, desde seu início, em 1881, com a obra Memórias Póstumas de Brás Cubas, a ousada trajetória do defunto autor.
Machado é um mito, e seus personagens são verdadeiros merecedores de um espaço na mídia, como em minisséries, no caso de Capitu (2008), ou em adaptações para o cinema, como Capitu, de Paulo César Saraceni (1968), Criador e criatura - o encontro de Machado e Capitu de Flávio Aguiar e Ariclê Perez (1999), Capitu, de Marcus Vinicíus Faustini (1999), Dom de Moacyr Góes (2003) e para ópera, Dom Casmurro, de Ronaldo Miranda e Orlando Codá (1992).
O texto de Machado em Dom Casmurro, e sua adaptações expressam conteúdo, emoção, paixão, intriga e devaneios, deixando tudo sutilmente no ar, numa discussão que atravessa anos: O carater da menina dos olhos negros e profundos; Menina ou mulher? Todos os leitores (e admiradores) se deleitaram com o amadurecimento e despertar de Capitu para vida e para a sociedade carioca.
Mas, o que existe de tão especial na pseudo-aspirante a “carola” que ainda criança se apaixona pelo menino prometido ao clero: Um menino frágil, franzino e medroso, que passa metade da vida temendo a Deus por promessas não cumpridas.
Capitu representa a ousadia, a liberdade ansiada por grande parte das mulheres do século XIX, senão dos dias atuais. Ela mantém o brilho no olhar e sempre enxerga além, para longe dos padrões impostos: A mulher que a bucólica feminilidade brasileira espera se tornar: A mulher que rompe barreiras do machismo e da submissão, embora para aquela época, tantas aventuras fossem apenas, discretamente, permitidas na ficção.
E Bentinho murchava gradativamente com o desabrochar de Capitu, e enlouquecia com a velocidade com que a amada se tornava uma mulher pouco convencional (pelo menos aos seus olhos). Ela era dona de seus deveres e direitos, enquanto a Bentinho, só restavam fantasias e delírios.
É o inesperado desse romance que ainda fascina e desperta tantas discussões e a curiosidade de realitas, estudiosos, ou simples admiradores, que ainda não aprenderam a se contentar com a cultura empobrecida e alienada popularizada riducularmente (salvo raras excessões) pela mídia brasileira.